Diário Sintonia
Aprovadas novas regras para produção e venda de queijos artesanais
Por Janaina Silva
26 de junho de 2019

Para comercializar precisa ser livre de tuberculose e brucelose

 

Aprovado na noite desta terça-feira (25) pelo Senado o projeto de lei que estabelece novas regras para produção e venda de queijos artesanais, com isso, os produtores terão menos burocracia para vender seu produto em todo o país. O texto aprovado agora segue para sanção do presidente da República. É considerado artesanal o queijo elaborado a partir de métodos tradicionais e com leite da própria fazenda. Os queijos elaborados em indústrias não são considerados artesanais, ainda que seja autorizado o uso da palavra “artesanal” ou “tradicional” no rótulo das embalagens.

 

A lei aprovada permite a produção de queijo com leite cru, sem passar por processo de pasteurização ou esterilização. No entanto, para comercializar a produção, a queijaria precisará ser certificada como livre de tuberculose e brucelose. Além disso, os produtores precisarão participar de programa de controle de mastite animal, implantar programa de boas práticas agropecuárias, controlar a qualidade da água usada na ordenha e rastrear os produtos.

 

Dados da Emater-MG, vinculada da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), apontam que Minas Gerais produz 10 bilhões de litros de leite por ano.

 

Um dos premiados no 4º concurso mundial de queijo, realizado de 2 a 4 de junho na cidade de Tours na França, na categoria Ouro, foi Alexandre Honorato, produtor do Queijo Minas Artesanal de Araxá. Há 30 anos na atividade, que herdou do avô materno, Alexandre já ganhou 7 concursos regionais e um estadual, em 2009. “Isso é mais um carimbo de que estamos trabalhando no caminho certo”, argumenta.

 

Dono de uma propriedade de 25 hectares – a Fazenda Só Nata, em Araxá – o produtor produz o próprio leite e fabrica 160 queijos por dia. Segundo Honorato, 80% da produção é comercializada no próprio município, o restante vai para outras cidades do país, como Manaus, Petrolina, São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis e Curitiba. Primeiro produtor a conseguir o selo do SISBI (Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal), desde 2014 ele pode vender o queijo batizado de “Mineirinho” para outros estados.